Sítio geológico no Quadrilátero Ferrífero está em lista dos 100 mais relevantes do mundo

Sítio geológico no Quadrilátero Ferrífero está em lista dos 100 mais relevantes do mundo

Professora da UFMG e colega da Ufop propuseram candidatura de formações localizadas em Itabirito e na Serra da Piedade.

As formações ferríferas encontradas no Pico do Itabirito (ou do Itabira), localizado no município de Itabirito, e o Pico da Serra da Piedade, em Caeté, ambos na região metropolitana de Belo Horizonte, estão entre os 100 patrimônios geológicos mais relevantes do mundo, segundo a União Internacional dos Sítios Geológicos (IUGS). É a primeira vez que se produz uma lista do gênero.

O patrimônio geológico do Quadrilátero Ferrífero (QF) foi sugerido à comissão de seleção da IUGS no Brasil pela professora Úrsula Ruchkys de Azevedo, do Instituto de Geociências da UFMG (IGC), e pelo professor Paulo de Tarso Amorim Castro, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Mais três sítios brasileiros integram a lista: o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, as Cataratas do Iguaçu, no Paraná, e o Domo de Araguainha, em Goiás.

O sítio geológico mineiro aparece na relação dos 100 mais recomendados para conservação como Formações ferríferas bandadas paleoproterozoicas do Quadrilátero Ferrífero. O termo bandadas, explica Úrsula Ruchkys, se refere às camadas ricas em ferro e sílica, que dão à formação um aspecto listrado; paleoproterozoicas são estruturas formadas no período aproximado de 2,5 bilhões a 1,6 bilhão de anos atrás. A categoria em que o QF se enquadra na lista da IUGS é a dos Sítios estratigráficos e sedimentológicos.

Referência para as geociências

Na tese de doutorado que defendeu em 2007, na UFMG, Úrsula elaborou proposta de criação, no QF, de um geoparque, área protegida que abriga projetos turísticos e educacionais. O Brasil tem três geoparques: Araripe, no Ceará, criado em 2006, Seridó, no Rio Grande do Norte, e Caminhos dos Cânions do Sul, em região de divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os dois últimos foram criados em 2022. “Na minha pesquisa, identifiquei afloramentos de rocha e outros elementos com potencial de contar a evolução do Quadrilátero Ferrífero, que é uma região importante no contexto da geologia mundial”, conta a professora, que chefia o Departamento de Cartografia do IGC.

De acordo com Úrsula Ruchkys, os sítios do patrimônio geológico credenciados pela IUGS têm relevância científica que faz deles referências para o desenvolvimento das geociências. “A comunidade da geologia vê o projeto da União Internacional como estímulo à cooperação entre os geossítios no mundo, visando ao compartilhamento de conhecimentos e práticas nesse campo”, afirma.

Pedra que risca vermelho

Úrsula Ruchkys explica que as formações ferríferas bandadas (BIFs) do Quadrilátero Ferrífero são rochas sedimentares químicas formadas no início do Grande Evento de Oxigenação no Paleoproterozoico e depositadas em um ambiente oceânico pouco profundo. “Regionalmente, as nossas BIFs são denominadas de itabirito [em tupi- guarani, pedra que risca vermelho]. Os corpos de minério de ferro do QF hospedados nas BIFs têm até 75% de óxido de ferro e são mundialmente conhecidos. As minas na região produziram mais de 3 bilhões de toneladas de ferro nos últimos 20 anos”, afirma a professora.

Ainda segundo Úrsula, juntamente com mármores, dolomitos e filitos hematíticos e dolomíticos, as BIFs constituem a Formação Cauê do Supergrupo Minas, que atinge até 350 metros de espessura. Elas têm uma crosta ferruginosa (com óxido e hidróxido de ferro), regionalmente chamada de canga. As cangas são resistentes à erosão e hospedam pequenas cavernas, as primeiras a serem descritas nesse tipo de rocha.

“Como sedimentos químicos, formações ferríferas registram as transformações ambientais e a evolução da Terra. Sua presença indica alterações na biosfera que levaram a considerável aumento na concentração de oxigênio livre na atmosfera e nos oceanos”, diz a professora.

As BIFs paleoproterozóicas do Quadrilátero Ferrífero foram descritas como sítios geológicos importantes para a compreensão da história de evolução da Terra na tese de Úrsula Ruchkys e em publicação da Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Pleobiológicos, dois anos depois, em 2009 – nesse caso com a participação dos também professores da UFMG Friedrich Ewald Renger, Carlos Alberto Rosiere, Maria Márcia Magela Machado e Carlos Maurício Noce.

“O sítio do QF tem um dos registros mais importantes de BIF paleoproterozoico, o perfil de intemperismo [desgaste natural das rochas] mais antigo e contínuo do planeta, várias cavernas formadas em rochas ricas em ferro, além de sustentar as indústrias siderúrgicas ao longo das últimas décadas do século 20 e também no século 21”, enumera Úrsula Ruchkys, ao mencionar os fatores decisivos para o reconhecimento pela União Internacional dos Sítios Geológicos.

Fonte: https://ufmg.br

Más artículos de la Universidad

Suscríbete al Grupo Tordesillas​

Introduce tu email y recibirás las novedades del Grupo Tordesillas mensualmente en tu correo electrónico.

Scroll al inicio