
Prestes a completar seu período de gestão como Diretor de Relações Governamentais da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Scala falou sobre os índices de mortalidade masculina no Brasil e revelou dados preocupantes. Ressaltou que, embora conhecedores das causas dos problemas cardiovasculares, os homens estão em desvantagem em relação às mulheres.
“Apresentam uma alta mortalidade entre 40 e 50 anos, o que também não ocorre em outros países; tem mais infarto e, nesse pondo, a expectativa de vida é menos cinco anos, mas se nomearmos os fatores externos, sobe para menos sete anos”, afirma.
De acordo com o pesquisador, as doenças cardiovasculares são a primeira causa de mortes prematuras no País, representando 28,52%. Ele observa que dados do Vigitel Brasil 2014, serviço de “Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico”, do Ministério da Saúde, o homem apresenta maior índice de excesso de peso devido ao consumo alimentar de risco, ao tabagismo e à hipertensão arterial, entre outros hábitos.
Entre os fatores externos, a pesquisa relata que os homens dirigem mais que as mulheres após ingestão de álcool e fumam mais. Outro fator, é que o homem não mantém a constância nas consultas preventivas e relata que, quando vai ao cardiologista, é levado pela mulher.
Diante disso, Scala defende a adoção de políticas públicas que incluam, entre outros, maior alinhamento das instituições públicas com as universidades e sociedades científicas. No 8º Fórum de Políticas Públicas e Saúde do Homem ele enumerou, ainda: que é preciso melhorar o acesso e a qualidade do atendimento da Atenção Básica; que a Atenção Básica, por meio das equipes multiprofissionais do Programa Estratégia de Saúde da Família, representa a estratégia mais adequada no combate às Doenças Crônicas Não Transmissíveis, entre as quais as cardiovasculares; que é necessário estabelecer um melhor alinhamento das Políticas Públicas, como o Programa Saúde do Homem, com a Sociedade Civil, especialmente as Sociedades Científicas e as Universidades; e promover “Programas de Educação Continuada” em nível nacional com a participação das Sociedades Científicas e Universidades.
Direção da SBC
Luiz César Nazário Scala, que é docente do Departamento de Clínica Médica (Hospital Universitário Júlio Müller) e do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, é o primeiro representante de Mato Grosso a ocupar cargo de direção na Sociedade Brasileira de Cardiologia. Tomou posse em 19 de dezembro do ano passado, para o Biênio 2014-2015 e termina o mandato na próxima semana.
A SBC conta com 14.000 cardiologistas em todo o país, e grande prestígio internacional, que a posiciona como a terceira maior Sociedade de Cardiologia em nível mundial. Para o professor, a experiência lhe proporcionou um “sentimento de grande responsabilidade” ao representar Mato Grosso e “levar ao governo federal e a outros órgãos públicos em nível estadual ou municipal, as grandes lacunas e pleitos existentes na área da Saúde Cardiovascular, em MT e em nível nacional”. Uma das conquistas, nesse período, diz, é a manutenção da atribuição do título de especialistas nas sociedades científicas. “O governo queria tomar essa atribuição para si, e consideramos que isso levaria à perda de qualidade”, afirma. Segundo ele, hoje, 70% dos associados da SBC são cardiologistas com título de especialistas.
Fonte: http://www.ufmt.br/

