O docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Câmpus de Cuiabá, Luiz Alexandre Barbosa de Freitas participa da organização do livro “Introdução ao desenvolvimento de softwares para analistas do comportamento”. A obra é publicada pela Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) e inaugura o selo editorial da Associação sendo disponibilizada gratuitamente no formato e-book.
A obra, composta de artigos de diversos pesquisadores da área, reúne conhecimentos teóricos e apresentação de ferramentas tecnológicas para desenvolvimento de estudos. Ela pretende servir como um guia para analistas do comportamento sem conhecimento prévio em computação que desejem aprender a utilizar a programação em suas pesquisas e trabalho.
“A grande maioria dos Analistas do Comportamento no Brasil são psicólogos, embora isso não seja uma obrigatoriedade. O livro é certamente direcionado a analistas do comportamento, isso fica muito claro nos exemplos de aplicação trazidos nos capítulos que tratam de linguagens de programação específicas. Entretanto, como uma obra introdutória, ele pode ser útil a psicólogos de qualquer abordagem (ou mesmo não-psicólogos) que tenham interesse em aprender a escrever programas de computador”, explica o docente.
Ainda segundo o docente, o abismo que separa psicólogos e profissionais de computação é, frequentemente, um empecilho para que surjam inovações. “Como é típico em qualquer área profissional, trabalha-se com vocabulário técnico e jargões que outros profissionais não entendem. O livro busca aproximar os profissionais de psicologia dessas ferramentas tecnológicas para que possam conhecer suas potencialidades, se comunicar melhor com programadores profissionais para esclarecer suas demandas ou mesmo criar seus próprios programas”, acrescenta.
Aproximação entre áreas
O professor Luiz Alexandre Barbosa de Freitas explica que a aproximação entre a computação e a psicologia não é nova, sobretudo na área de pesquisa. “Na metade do século XX psicólogos interessados no comportamento humano já precisavam utilizar recursos como caixas experimentais automatizadas para fazer seus experimentos. De lá para cá muito avançou, incluindo o que hoje conhecemos como ensino à distância e também a oferta de serviços psicológicos online”, exemplifica.
Mas isso não significa que, em um futuro próximo os analistas serão substituídos pelas ferramentas tecnológicas. “Utilizando as ferramentas tecnológicas corretas é possível saber muito a respeito da vida de alguém e influenciar seu comportamento. Esse aspecto levanta uma questão muito importante e que é central para os profissionais de psicologia, sejam eles Analistas do Comportamento ou de qualquer outra abordagem: a ética”, defende o docente, exemplificando a situação com as notícias recentes de que dados de usuários em uma rede social foram utilizados para influenciar seu comportamento durante eleições. “Como profissionais que têm o compromisso de cuidar de outros seres humanos, garantindo seu direito à vida, à dignidade e à liberdade, nós, psicólogos, precisamos conhecer mais sobre essas tecnologias que têm sido utilizadas com fins questionáveis”, sinaliza.
Ensino de programação na graduação
Um dos pilares de “Introdução ao desenvolvimento de softwares para analistas do comportamento” é a defesa do ensino de programação na graduação em Psicologia.
O docente comenta que uma das funções da educação é formar indivíduos para o futuro e o que hoje é considerado requisito básico, como, por exemplo, a edição de textos e realização de buscas pela internet está sendo alterado. “Os cursos de graduação em psicologia parecem estar em descompasso com o momento tecnológico em que nos encontramos.A defesa pelo ensino na graduação tem a ver com formar profissionais que estejam um passo adiante. A ideia é dar a eles uma ferramenta a mais, que os torna mais autônomos e que os empodera”, expõe o docente, reforçando que o esperado não é que os psicólogos ou analistas de comportamento se tornem programadores natos, o que é provável.
“O objetivo é que eles possam desenvolver seus softwares (mesmo bem simples) que atendam às suas necessidades profissionais a custo zero e que possam, inclusive, gerar inovações”, finaliza.
Para conhece a obra, basta acessá-la na página da ABPMC.
Fonte: http://www.ufmt.br/


