Pesquisadores da Ufes participam de expedição científica internacional na porção equatorial do Oceano Atlântico

Uma equipe da Ufes formada pelos professores Alex Bastos, do Laboratório de Geociências Marinhas (LaboGeo), e Angelo Bernardino, do Laboratório de Ecologia Bentônica (LEB), além de seis pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Ambiental da Universidade, participa de uma expedição científica internacional a bordo do navio Falkor, embarcação de pesquisa operada pelo Schmidt Ocean Institute. A expedição saiu de Fortaleza, no Ceará, no dia 17 de maio, e o desembarque será nesta sexta-feira, 19, em Trinidad e Tobago. De lá, os pesquisadores retornarão para o Espírito Santo de avião, com chegada prevista para o dia 21 de junho. 

Batizada de Matrics (sigla em inglês para Arquitetura de Megatransformação, Circulação Integrada e Habitats do Fundo Marinho na Zona de Fratura de Doldrums – FKt260517), a expedição é liderada pelo cientista Aaron Micallef, do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (Mbari), da Califórnia, nos Estados Unidos. O cenário das investigações é a Zona de Fratura Doldrums, localizada na Cordilheira Meso-Atlântica, uma das maiores estruturas geológicas que fica na parte equatorial do Oceano Atlântico. 

“A participação da Ufes nessa expedição representa uma inserção concreta na fronteira da pesquisa oceanográfica global. Os dados e amostras coletados vão alimentar análises que irão gerar trabalhos de alto nível científico e contribuir para uma área que quase nunca foi explorada, em um dos sistemas oceânicos mais importantes do mundo, como é a Cordilheira Meso-Atlântica”, afirma o professor Bastos, que coordena a pesquisa na Ufes.

Segundo ele, a zona está localizada na latitude de 8 graus ao norte da Linha do Equador, sendo uma falha transformante que se estende por cerca de 600 quilômetros. “É uma espécie de cicatriz profunda na crosta oceânica, formada pelo movimento lateral entre placas tectônicas. Ao longo dessa estrutura, emergem rochas do tipo basaltos, gabros e rochas ultramáficas, que formam o que chamamos de crosta oceânica”, explica o professor. 

A Zona de Fratura Doldrums oferece o que os cientistas chamam de laboratório natural: um ambiente único para estudar a interação entre geologia, química e biologia nas profundezas do oceano.

O professor afirma que um dos fatores que “tornam a região cientificamente excepcional é a possibilidade de que a circulação de água do mar através dessas rochas fraturadas, e que são afetadas pela fonte de calor do magma associado à formação das placas tectônicas, desencadeie reações químicas capazes de gerar hidrogênio e metano, e ainda formar fontes hidrotermais”. Esses são processos, continua o pesquisador, que “podem sustentar formas de vida específicas para este ecossistema e formar rochas de sulfetos e óxidos que muitas vezes formam chaminés em profundidades de mais de 3 mil metros”. 

Robôs de última geração

Para auxiliar nas diversas investigações que estão sendo realizadas no local (veja detalhes no site da Revista Universidade), a expedição conta com tecnologia de última geração. “O Veículo Submarino Autônomo (AUV) mapeia o fundo oceânico com resolução de até um metro, mesmo a quatro mil metros de profundidade — algo impensável há poucas décadas. Esses robôs navegam de forma independente, a apenas 50 metros acima do fundo marinho, coletando dados da coluna d’água e podendo operar em profundidades de até 6 mil metros”, diz Bastos.

Os Veículos Operados Remotamente (ROVs), controlados por pilotos a bordo do navio, são robôs que chegam a 4.500 metros e capturam vídeos e imagens em alta definição do fundo e da coluna d’água. “Equipados com braços mecânicos, são capazes de coletar amostras de rochas, sedimentos e organismos, viabilizando análises geológicas, biológicas e químicas que seriam impossíveis de outro modo”, afirma o pesquisador.

Mais detalhes e vídeos sobre a expedição estão disponíveis no perfil do LaboGeo/Ufes no Instagram.

Foto: Acervo da pesquisa

Fonte: https://www.ufes.br

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