
O professor Rafael Rogério Nascimento dos Santos, da Faculdade de História do Instituto de Estudos do Trópico Úmido (IETU) da Unifesspa, conquistou o primeiro lugar na 18ª edição do Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa. A premiação, de abrangência nacional, reconheceu a tese de doutorado “‘Melhores mestres’: saberes indígenas e ciência colonial no Vale Amazônico (século XVIII)”, defendida pelo pesquisador em 2023, no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Pará (UFPA), sob orientação do professor Mauro Cezar Coelho.
O trabalho investiga a participação dos povos indígenas na produção e na circulação de conhecimentos sobre a natureza amazônica durante o período colonial. A partir da análise de documentação histórica, a pesquisa demonstra que indígenas não atuaram apenas como fornecedores de plantas, animais, objetos e informações para colonizadores, missionários, viajantes e naturalistas. Eles também exerceram papéis de conhecedores, intérpretes, guias, mediadores e produtores de conhecimentos fundamentais para a compreensão e a exploração do mundo natural amazônico.
A pesquisa questiona, assim, interpretações que apresentam os povos indígenas como sujeitos passivos na construção do conhecimento científico. Segundo o estudo, muitos conhecimentos posteriormente incorporados à história natural europeia estavam relacionados às experiências, classificações, práticas e formas indígenas de observar e compreender a natureza. A tese também evidencia a Amazônia colonial como um território de produção, transformação e circulação de conhecimentos, e não apenas como espaço de extração de matérias-primas.
O resultado foi divulgado oficialmente pelo Arquivo Nacional. A comissão julgadora avaliou os trabalhos de forma anônima, sem identificação de autoria, considerando critérios como a contribuição para a divulgação das fontes do Arquivo Nacional, relevância e ineditismo da pesquisa, coerência no desenvolvimento do texto e qualidade das referências utilizadas.
Desenvolvimento da pesquisa – A tese foi desenvolvida, em grande parte, durante o período em que Rafael integrava o quadro docente da Unifesspa. Para o pesquisador, o afastamento concedido pela Universidade para a realização do doutorado foi fundamental para o desenvolvimento do trabalho e para a conclusão da formação. “Vejo essa premiação também como uma demonstração da importância do investimento institucional na formação e na qualificação de seus servidores”, destaca Rafael.
A pesquisa possui relação direta com as atividades de ensino e investigação desenvolvidas pelo professor na Unifesspa, especialmente nos campos da História da Amazônia, História Indígena e História das Ciências. Essas temáticas estão presentes em disciplinas, projetos de pesquisa e orientações acadêmicas, incluindo trabalhos desenvolvidos atualmente no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade, em Marabá.
Ainda segundo o professor, embora a tese tenha como recorte uma área mais ampla, denominada Vale Amazônico, seus resultados contribuem para a compreensão histórica da região e para o reconhecimento dos povos indígenas como sujeitos ativos na produção e na circulação de conhecimentos.
Reconhecimento nacional – Para Rafael, a premiação também representa uma conquista pessoal e profissional. A tese foi escrita em grande parte durante a pandemia de Covid-19, período marcado por desafios pessoais e acadêmicos. Por isso, o reconhecimento possui significado especial, sobretudo por ter ocorrido em um processo de avaliação anônimo.
“Receber o primeiro lugar representou uma confirmação da qualidade da pesquisa e de sua contribuição para os estudos sobre os povos indígenas, a Amazônia e a produção de conhecimentos no período colonial”, afirma.
O professor também destaca a importância de a premiação conferir visibilidade nacional a uma pesquisa produzida na região Norte e dedicada à história amazônica. Para ele, o reconhecimento fortalece sua trajetória de ensino e pesquisa e amplia as possibilidades de desenvolvimento de novos estudos, orientações e projetos.
A conquista, ressalta Rafael, é resultado de uma trajetória construída coletivamente. O pesquisador agradece à família, aos professores do Programa de Pós-Graduação em História da UFPA e à Unifesspa, especialmente à Faculdade de História do IETU, pelo apoio recebido durante sua formação.
