“SUShI” de insetos para rações de aquacultura desenvolvido na UA

“SUShI” de insetos para rações de aquacultura desenvolvido na UA

A obtenção sustentável de insetos com perfis nutricionais adequados para a alimentação de organismos marinhos de aquacultura é o objetivo principal do projeto SUShI (uso SUStentável de proteína de Insetos). A proximidade à Ria de Aveiro otimizou recursos e sustentou o desenvolvimento desta linha de investigação na Universidade de Aveiro. Por esta via, o projeto SUShI abriu a rubrica “Investigação de ponta, Investigação que conta” do boletim informativo Bio-Síntese.

O projeto SUShI (uso SUStentável de proteína de Insetos), tem como objetivo principal a produção de insetos com perfis nutricionais adequados para a alimentação de organismos marinhos de aquacultura.

Para atender às demandas de uma população em crescimento, é necessário produzir alimentos nutritivos de forma sustentável. Aparentemente, e de acordo com a estratégia de crescimento azul, a aquacultura reduziu a pressão das pescas. Porém, na produção de peixes carnívoros, o cenário é bem diferente, uma vez que estes requerem uma dieta rica em proteína e óleo de origem animal. Para atender a essas necessidades nutricionais, são frequentemente usados dois ingredientes: a farinha de peixe e o óleo de peixe, ambos ricos em ácidos gordos polinsaturados ómega-3, essenciais para a saúde e crescimento dos peixes (Ameixa et al. 2020).

O projeto SUShI, tenta responder a este desafio, através da utilização de insetos, modelando o seu perfil lipídico ou prospetando novas espécies de insetos costeiros, autóctones.

Na natureza muitos peixes alimentam-se naturalmente de insetos, não só aquáticos, mas também terrestres. Embora a aquacultura seja um sistema de produção de alimentos muito eficiente, a dependência da pesca para a produção de farinhas e óleos de peixe tem conduzido à erosão dos stocks de peixes selvagens, uma vez que em todo o mundo, as indústrias de aquacultura dependem da pesca selvagem como fonte de alimentação para peixes de viveiro. O aumento da conscientização sobre os benefícios dos ómega-3 para a saúde humana tem também contribuído para aumentar o consumo de peixes de aquacultura, colocando ainda mais pressão sobre os stocks pesqueiros.

Por outro lado, a utilização de ingredientes alternativos nas rações para aquacultura, como a farinha de soja, tem importantes impactos ecológicos nos locais onde é produzida, por exemplo, a desflorestação e utilização de agroquímicos em biomas como a floresta Amazónica ou no Cerrado. Para além disto, a soja possui fatores anti-nutricionais, que são substâncias que, mesmo em estado vestigial, reduzem ou impedem a utilização de nutrientes, ou provocam mesmo inflamação. A farinha de soja também não possui alguns aminoácidos ou outros nutrientes importantes. Existem ainda outros ingredientes alternativos que ou possuem elevados custos de produção ou a sua produção em larga escala ainda não é viável (Ameixa et al. 2020).

Assim, a procura por ingredientes alternativos para a produção de rações para a aquacultura tem considerado os insetos em diversos estudos um pouco por todo o mundo. Na Europa ganhou novos contornos sobretudo após a legislação europeia ser alterada em 2017, de forma a permitir o uso de insetos na alimentação de peixes.

Os insetos são ricos em proteínas, lípidos, e vários aminoácidos essenciais e, ao contrário dos ingredientes de origem vegetal, são pobres em fibras e fatores anti-nutricionais. Os insetos convertem alimentos de forma mais eficiente do que outros animais, e podem ser alimentados com coprodutos ou subprodutos de outras indústrias, contribuindo para uma economia mais circular. Atualmente, a legislação europeia restringe a produção de insetos a algumas espécies entre as quais a mosca-soldado-negro (Hermetia illucens), uma das espécies estudadas pelo projeto SUShI, cujos resultados (ainda não publicados) são muito animadores.

Para além desta espécie autorizada pelo decreto, no projeto está a ser realizada a prospeção de novas espécies de insetos. Alguns exemplos, são a mosca-das-pernas-longas, Machaerium maritimae (Duarte et al. 2021), uma mosca presente na Ria de Aveiro e cujo trabalho sobre o seu perfil lipídico foi publicado recentemente, revelando valores muito interessantes de ácidos gordos ómega-3. No decurso do trabalho têm sido também identificadas algumas espécies novas para Portugal, como por exemplo, o caso da mosca-das-algas, a Fucellia maritima (Lourenço et al. 2020).

Assim, pela sua baixa necessidade de utilização de terra arável, água e alimentos, bem como pelas baixas emissões de gases com efeito de estufa, e capacidade de utilização com substratos subprodutos de outras indústrias, os insetos constituem ingredientes alternativos mais sustentáveis do que os outros utilizados atualmente e apresenta-se como uma alternativa viável para uma aquacultura mais sustentável.

O projeto decorre no Centro de Extensão e de Pesquisa em Aquacultura e Mar (CEPAM) localizado no ECOMARE – laboratório para a inovação e sustentabilidade dos recursos biológicos marinhos da Universidade de Aveiro.

O projeto é coordenado pela investigadora Olga Ameixa, do DBio e CESAM/UA, e conta com uma equipa multidisciplinar que envolve investigadores dos Departamentos de Biologia (DBio), de Química, e do Ambiente e Ordenamento, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da Universidade de Aveiro (UA) para além de vários alunos de doutoramento e mestrado. O Projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), no âmbito do Programa Operacional Regional do Centro, através do FEDER, com o valor de 237.783,00€.

Mais informação:

Website: http://sushiproject.web.ua.pt

Twitter: SUShI Project @SUShI52176330

Olga Ameixa

investigadora CESAM & DBio

Fonte: https://www.ua.pt

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