Mostra de Cinema: uma tarde de chá e verso – UFSJ

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Uma tarde comum num apartamento ordinário. Alguém ferve um chá, anota um poema. Com uma sensível simplicidade e poucos elementos, Nicoly de Oliveira estreia seu primeiro curta-metragem na 19° Mostra de Cinema de Tiradentes. A exibição faz parte da Mostra Cena Regional e acontece neste domingo, 24, às 15h.

A estudante de Jornalismo na UFSJ conta que, ao conceber O Último Verso, não tinha pretensão de inscrevê-lo em festivais. “Era só um trabalho pra faculdade, mas acabou coincidindo com a Mostra de Cinema de Tiradentes e eu decidi tentar”, explica. As filmagens aconteceram em seu próprio apartamento, com roteiro desenvolvido por ela e mais duas amigas. O curta mostra ações habituais do nosso dia-a-dia, embalados por um clima melancólico, onde, da sutileza cotidiana, emerge um acontecimento inesperado.

Desde pequena, Nicoly já tinha o hábito de escrever, sempre inspirada pelas belas paisagens da cidade interiorana onde cresceu. Quando ganhou sua primeira câmera, uma Cyber-shot simples, começou a registrar em vídeos e fotos o mundo ao seu redor. A partir daí, percebeu que aquela poderia ser a forma de deixar sua poesia no mundo. A diretora explica que algo que marcou sua trajetória pessoal foi a participação na Oficina de Análises Cinematográficas em 2013 pela Semana de Audiovisual promovida pelo coletivo Sem Eira Nem Beira. “Pela primeira vez eu estava entrando em contato com alguém que vivia de cinema.”

Desde então, seu gosto pela sétima arte foi aumentado e ganhando forma, delineando estilos e gostos: Tarkovsky e Lars von Trier estão na lista dos preferidos. Depois de tentar entrar em Cinema e não ter dado certo, acabou optando por Comunicação. “Convivendo com mil ideias diferentes e entrando em contato com o cinema de forma mais reflexiva e crítica, fui aos pouquinhos me aproximando do audiovisual”, explica.

O curta foi realizado de maneira quase instantânea. Nicolly explica que “foi a ideia de uma manhã, a filmagem de uma tarde e a edição de uma noite” mostrando que a lógica de Glauber Rocha sobre o cinema ainda vigora. “Bastou uma ideia na cabeça e uma câmera na mão.” Quem for conferir O Último Verso poderá se surpreender e ter o próprio cotidiano atravessado pelo susto do improvável. A chuva que rende a história com seu som poderá molhar a alma do espectador, transmitindo a ele uma certa melancolia que faz parte da trama. A poesia contida nos detalhes – com os quais Nicoly confessa ter verdadeira fixação – revela pequenezas do dia-a-dia que nos passam despercebidas.

Fonte: http://www.ufsj.edu.br/

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