Modelo matemático prevê emissões de metano no gado – UFMT

Modelo matemático prevê emissões de metano no gado - UFMT
Predição permite criar estratégias para combater a emissão deste gás

Os efeitos ambientais da poluição por gás carbônico são frequentemente comparados com a emissão de gás metano nas criações de gado. Trata-se de um problema complexo, que envolve tanto preocupações com a segurança alimentar, quanto com a sustentabilidade da produção.

Com o objetivo de esclarecer os principais fatores que afetam a emissão de metano por vacas de leite e desenvolver modelos matemáticos mais precisos para prever tais emissões, pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Câmpus de Sinop, desenvolveram um estudo intitulado “Predição de emissões de metano entérico em vacas leiteiras”, que recebeu o prêmio Destaque da Área de Nutrição de Ruminantes na 56ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia.

“O metano é um dos principais gases causadores do efeito estufa e a emissão deste gás no rúmen de bovinos é uma das maiores fontes de contribuição. Assim, embora a produção do gás seja um processo microbiológico natural e essencial para permitir que os mesmos consigam consumir e digerir forragens, grãos e farelo, minimizar sua emissão é de grande interesse por razões econômicas e ambientais”, explica o professor André Soares de Oliveira, coordenador do Dairy Cattle Research Lab e orientador da pesquisa.

De acordo com os pesquisadores, a emissão de metano dos animais é afetada principalmente pelo nível de ingestão dos alimentos, digestibilidade da dieta e pelo teor de lípidos da mesma. “Todavia, como estas variáveis não são rotineiramente mensuradas nas fazendas, nós também criamos diversas equações, algumas mais complexas, que combinam àquelas variáveis, até as mais simples, somente com variáveis do animal, como peso, grupo genético e desempenho produtivo”, completou o pesquisador.

Para a realização da pesquisa foram usados dois conjuntos, o primeiro para a construção das equações e o segundo para avaliar a qualidade de predição das mesmas, comparando os valores preditos com os observados (reais). Este modelo, então, foi comparado com outros 40 disponíveis na literatura científica, incluindo os adotados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estimando a emissão de metano com maior precisão que os disponíveis e metade do erro do usado pelo IPCC.

“Espero que nossos modelos sejam úteis para os produtores rurais, profissionais das ciências agrárias e outros cientistas para conhecer a emissão de metano em seus rebanhos. Principalmente, espero que contribua para reduzir a intensidade da mesma, contribuindo para o acompanhamento de metas ambientais”, concluiu

Nutrition System for Dairy Cows, que calcula essa e outras variáveis usando o modelo científico do Dairy Cattle Research Lab está disponível para download. 

O estudo foi parte da dissertação de mestrado em Zootecnia, do Programa de Pós-graduação em Zootecnia de Sinop, da pesquisadora Andrea Beltrani Donadia.

Saber mais: https://www.ufmt.br

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