Pergunte a um cientista do CESAM: Como é que os vírus sofrem mutações? UA

Pergunte a um cientista do CESAM: Como é que os vírus sofrem mutações? UA

Os vírus e as suas mudanças fazem o tema de mais uma rubrica “Pergunte a um cientista do CESAM”, iniciativa deste laboratório associado da Universidade de Aveiro (UA). À pergunta desta semana: “Como é que os vírus sofrem mutações?» responde a docente e investigadora Maria Filomena Caeiro, especialista em Virologia e Genética, no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM). Envie também a sua pergunta para cesam-divulga@ua.pt.

As mutações são alterações que ocorrem quando o material genético (genoma) é replicado (copiado) e, caso as cópias fossem perfeitas, os novos genomas seriam idênticos aos que lhes deram origem. Mas há sempre erros durante a replicação e até se pode saber, para cada tipo de vírus, a frequência com que são esperados.

O genoma de um vírus é replicado quando infeta uma célula. Cada descendente viral tem uma cópia do genoma original e proteínas que foram sintetizadas na célula infetada, a partir da informação genética codificada no genoma viral. Alguns vírus têm genomas de DNA (ácido desoxirribonucleico) e outros têm genomas de RNA (ácido ribonucleico).

Nos vírus com genoma de DNA há enzimas de reparação, normalmente codificadas nos genomas das células, capazes de reconhecer e corrigir os erros que ocorrem na replicação. Daí resulta uma taxa de mutação muito reduzida.

O mesmo não ocorre na replicação dos genomas dos vírus de RNA. É o caso, por exemplo, dos vírus da gripe, da poliomielite e do sarampo. Como consequência de os erros não serem reparados, as taxas de mutação são muitíssimo elevadas.

Apenas num grupo de vírus com genoma de RNA, a que pertence o SARS-CoV2, é conhecida a existência de enzimas de reparação capazes de corrigir erros que ocorram no processo de replicação. É por isso que estes vírus têm taxas de mutação muito menores do que as que se observam nos outros vírus com genoma de RNA. Daí que ocorra o aparecimento de variantes, mas a um ritmo moderado.

As mutações ocorrem aleatoriamente e a maioria traduz-se na codificação de proteínas virais não funcionais e que não sejam viáveis os vírus que herdam genomas com essas mutações. No entanto, algumas mutações resultam na codificação de proteínas virais funcionais e capazes de novas interações com as células hospedeiras. É assim que surgem as variantes mais transmissíveis e/ou mais infeciosas. E também vírus com capacidade de infetar novos hospedeiros.

Resposta assinada pela docente e investigadora Maria Filomena Caeiro, especialista em Virologia e Genética.

As respostas publicadas quinzenalmente são da inteira responsabilidade do cientista e não representam qualquer posição oficial do CESAM. Mais sobre o CESAM: www.cesam-la.pt.

Fonte: https://www.ua.pt

Más artículos de la Universidad

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada.

Suscríbete al Grupo Tordesillas​

Introduce tu email y recibirás las novedades del Grupo Tordesillas mensualmente en tu correo electrónico.

Ir arriba