Livro de professores da UFF sobre Ecologia Marinha marca o início da Década da Ciência Oceânica promovida pela ONU

Livro de professores da UFF sobre Ecologia Marinha marca o início da Década da Ciência Oceânica promovida pela ONU

Os oceanos cobrem cerca de dois terços da superfície terrestre; entretanto, ainda são pouco conhecidos e conservados. A proteção da vida na água é o tema do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 da Organização das Nações Unidas (ONU), que lançou oficialmente na última terça-feira (20), a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. O ano de 2021 marca o início dessa década, que vai até 2030, e visa conscientizar a população mundial sobre o papel dos mares, que influenciam o meio ambiente em questões fundamentais como a regulação do clima, produção de oxigênio, sequestro e armazenamento de carbono. A proposta é mobilizar agentes públicos, privados e a sociedade civil organizada em ações que favoreçam a saúde e a sustentabilidade dos oceanos. Para isso, estratégias de adaptação e decisões políticas inclusivas, participativas, globais e baseadas na ciência são fundamentais.

Nesse contexto, os biólogos e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) Renato Crespo Pereira e Abílio Soares Gomes publicaram nesse mês de abril o livro ‘Ecologia Marinha’ pela editora Interciência, que reúne artigos sobre o ambiente marinho assinados por 53 autores – todos pesquisadores reconhecidos nos estudos das Ciências do Mar e ligados a diversas instituições brasileiras. “O livro foi idealizado a partir de apostilas elaboradas para os nossos alunos. Com base na coletânea de um material robusto, organizamos um conteúdo especializado e atualizado sobre Ecologia Marinha”, relata Abílio Soares.

Pesquisas recentes demonstram que os oceanos já estão extremamente impactados pela ação humana. Lixo e plástico foram encontrados até mesmo na costa de ilhas distantes e no ártico, o que mostra o quanto a questão da poluição é generalizada – Abílio Soares

Os pesquisadores explicam que um dos principais objetivos da obra é disponibilizar material didático na área de Ciências do Mar com exemplos da costa brasileira, e preencher uma lacuna na base da formação de recursos humanos da área. “Quando me formei, a ecologia marinha era estudada com exemplos de outros países, outros climas e outras latitudes. Nos últimos anos, houve um desenvolvimento marcante nos estudos da biologia dos mares do Brasil, e por isso reunimos bons materiais disponíveis em artigos científicos. Em Ecologia Marinha, disponibilizamos essas pesquisas nos capítulos. O texto tem um grande enfoque na caracterização de diferentes ambientes como praias, lagunas, mar profundo, costões rochosos, manguezais, entre outros, que são próprios da costa brasileira. Temos inúmeros exemplos que pretendem auxiliar no ensino em Ciências do Mar no Brasil”, narra Renato Crespo.

Segundo os autores, a publicação aborda assuntos básicos e alguns conteúdos que foram pouco debatidos em outras publicações da área. “A obra traz diversos aspectos da ecologia dos oceanos, desde pequenos organismos que vivem suspensos em coluna d’água, até peixes e grandes mamíferos. Reunimos capítulos sobre assuntos essenciais, mas que não são tratados somente de uma forma basal. O tópico sobre plânctons marinhos, por exemplo, é discutido em um nível de profundidade bastante atualizado. Também abordamos temas como “produtos naturais marinhos”, que utilizam a biodiversidade marinha como fonte de desenvolvimento e inovação em bioprodutos; e “ecologia química marinha”, que abordam as relações ecológicas que são mediadas quimicamente no mar. Esses são tópicos bem atuais e pouco explorados”.

Levantamos um histórico importante sobre as iniciativas de conservação no Brasil e no mundo, o que dialoga com os debates sobre políticas públicas voltadas para a vida marinha que estarão em pauta mundial nos próximos dez anos. A contribuição do conhecimento científico nacional nesse contexto global da década dos oceanos é de grande importância para a preservação do ambiente marinho – Renato Crespo

Outra questão relevante na publicação é a poluição e conservação dos mares. Os professores ressaltam que a degradação do ambiente marinho é responsabilidade do planeta Terra como um todo, já que os oceanos têm uma grande influência em importantes pontos de interesse coletivo como o clima terrestre. “Pesquisas recentes demonstram que os oceanos já estão extremamente impactados pela ação humana. Lixo e plástico foram encontrados até mesmo na costa de ilhas distantes e no ártico, o que mostra o quanto a questão da poluição é generalizada. A década dos oceanos foi estabelecida devido à necessidade de se tomar medidas políticas, institucionais e científicas para que se reverta esse quadro de deterioração dos oceanos. No último capítulo do livro, discutimos políticas públicas para a conservação do ambiente marinho, o que é uma inovação na bibliografia das Ciências do Mar”, complementam.

Para Renato e Abílio, a poluição e a conservação dos mares são assuntos urgentes. Os professores ressaltam que é fundamental haver uma década dedicada à resolução dos problemas que os oceanos vêm apresentando em função das ações do homem. “Em um livro sobre Ecologia Marinha, não poderíamos deixar de discutir essas questões. Levantamos um histórico importante sobre as iniciativas de conservação no Brasil e no mundo, o que dialoga com os debates sobre políticas públicas voltadas para a vida marinha que estarão em pauta mundial nos próximos dez anos. A contribuição do conhecimento científico nacional nesse contexto global da década dos oceanos é de grande importância para a preservação do ambiente marinho nacional”, acrescentam os autores.

O lançamento recente da publicação tem altas expectativas de retorno para os autores, principalmente considerando a aceitação da obra anterior, organizada pelos docentes em 2009. “Publicações especializadas que organizamos anteriormente foram adotadas em vários cursos de graduação e pós-graduação do país, além de concursos públicos para profissionais da área de Ciências do Mar. O livro ‘Biologia Marinha’, por exemplo, se transformou na base da formação de cerca de três gerações de profissionais da área”, completa Abílio. “Já o recente “Ecologia Marinha” possui um aprimoramento ainda maior, com um vasto material de imagens coloridas, o que facilita a visualização e compreensão de aspectos do mar. Acredito que esse foi um avanço significativo na produção do conteúdo, que contribuirá para a sua repercussão positiva tanto para a academia como para interessados no assunto”, finaliza Renato.

Fonte: http://www.uff.br

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